26 de jan. de 2007

Walk In Their Shoes - Protesto para o fim da guerra do Iraque



Dia 27 de janeiro acontecerá em Washington DC uma passeata pela Paz , pelo fim da guerra no Iraque e o retorno imediato das tropas. O evento está sendo organizado pela CodePink.
A CodePink é uma organização feminista pela Paz. O evento terá várias atividades entre passeatas, workshops e, a que eu mais gostei, uma instalação com pares de sapatos etiquetados com os nomes das vítimas iraquianas da ocupação, como este aí da foto.
"No dia de eleição os eleitores entregaram um mandato para a paz. Agora é hora para a ação. Junte-se ao CODEPINK em uma marcha nacional à D.C. em 27 de janeiro 27-29, para emitir uma mensagem forte e clara ao Congress e a administração de Bush: as pessoas deste país querem que a guerra e a ocupação em Iraque termine e o retorno das tropas já."(texto livremente traduzido do que está no site!).
Você pode ver as fotos do evento do ano passado aqui.
Elas foram feitas pela Denize Arcoverde do blog Síndrome de Estocolmo, que participou do evento no ano passado e participará este ano novamente.

25 de jan. de 2007

E o nosso dinheiro vai para onde hein?



Ceninha deprimente esta da foto! Dois policiais militares de Angra dos Reis, posando em fotos com turistas estrangeiras. Segundo os policias, após ajudá-las a encontrar a pousada onde estavam hospedadas, como agradecimento, as turistas pediram para tirar algumas fotos do trabalho da polícia. É, ao que parece as fotos não demonstraram nenhum "trabalho", e sim uma grande piada de mau gosto e o que é pior, com dinheiro público. Segundo a PM, o objetivo das fotos seria "divulgar uma boa imagem da Polícia Militar" e os participantes tiveram o cuidado de retirar as munições das armas.
Os militares envolvidos não foram afastados, mas estão sendo investigados pelo Comando do 33º Batalhão, podendo ser punidos.
Só queria saber se não ouve nenhum assalto naquele momento em outro ponto da cidade, sorte que era Paraty.

23 de jan. de 2007

Floripa Tem, por Adrina Bunn


Legal...

1) TODOS os moradores de rua de Floripa sabem ler e escrever. Aliás todos tem PhD em Harvard, eles escolheram viver assim porque são neo-hippies.
2) É obvio que a rua não é um lugar digno, mas tem gente que GOSTA de desafiar os limites da dignidade. Tem quem prefira morar em bairros nobres.
3) Procure ajuda... de quem? me diga, DE QUEM?

Me poupe, tio Dário.

Placa colocada no largo da catedral e na praça da Alfândega, em Florianópolis

21 de jan. de 2007

Elis Regina

Dia 19 de janeiro de 2007 fez 25 anos da morte de Elis Regina. Para relembrar a Pimentinha da MPB coloquei alguns vídeos no Pimentas para matar a saudade.

As aparencias enganam


Canto de Ossanha


Águas de Março

20 de jan. de 2007

Adult swim Laboratorio Submarino 2021 aguas de março

Sim! O melhor de Tom Jobim e Elis Regina na versão Adult Swim

19 de jan. de 2007

Adorável SETUF



A grande novidade do verão em Floripa: passe de estudante agora tem horário para ser usado.Como?É isso mesmo que vc leu. A partir deste ano o passe escolar em Florianópolis poderá ser usado apenas no horário entre 05:30 e 13:30. No período da tarde, se não me engano, entre 12:00 e 18:00 e por aí vai.É uma medida ridícula, que chega ao ponto de assustar.Entretanto,tratando-se do sistema de transporte público de Florianópolis,parece até normal,só mais uma do pacote TICEN,TITRI,TILAG,TIRIO,TICAN e TI FODE.
A SETUF já controla o número de passes por mês que o estudante pode comprar.Este limite é calculado como duas passagens por dia, seis dias da semana, mais que isso vc não pode comprar.
Também se o seu passe acabar antes não é permitido recarregá-lo, somente após 30 dias que vc realizou a compra anterior e o cartão é bloqueado no domingo.Então que o que SETUF quer mais?
Acho que na direção da SETUF ou ninguém nunca estudou ou sempre estudou e foi de carro pra aula.Claro, porque qualquer pessoa que tenha sido estudante um dia, de qualquer nível, sabe que estudar não é simplesmente ir para a aula. Há trabalhos a serem feitos, grupos de estudo na biblioteca,na casa de colegas, bater perna em sebo para ver se acha "aquele" livro mais barato, a formação extra-curricular, com cursos de aperfeiçoamento pessoal.Muito bom se fosse só a sala de aula.
É incrível a capacidade de transformar o que já era ruim em uma merda.Como definir horários se as vezes vc chega a ficar uma hora esperando um ônibus? O transporte em Floripa é extremamente problemático,fazendo com que cada vez mais moradores necessitem de carros, sufocando a ilha,cobrindo-a de asfalto e derrubando patrimônios culturais e naturais para fazer estacionamento. E antes de culparmos quem é de fora, que tal culparmos quem governa e nós mesmos,que conseguimos jogar fora o nosso voto de maneira tão cretina?
Dizem que a direção da UFSC vai se reunir com a SETUF para discutir este assunto, esclarecer que estudante não é somente ir à aula. Se for, que bom, espero que resolva algo. Caso contrário, que tal outra revolta da catraca?

16 de jan. de 2007

As coisas mais idiotas que eu já ouvi nos meus 21 anos

Todos nós já ouvimos coisas muito idiotas. Algumas são engraçadas, outras burras e outras surpreendentes, principalmente quando levamos em conta o nível de instrução da pessoa, aí é que a coisa fica feia.
Colaborando para o bem estar geral da nação, publico abaixo algumas das coisas mais idiotas que jah ouvi nos meus 21 anos de vida. Faça a sua seleção de idiotices também e mande para o meu e-mail. Assim poderemos dominar o mundo (viva a frase idiota !).

"A impressão que vc me passa é que vc está no curso de Física simplesmente para arrumar estágio" (Nossa! Essa é forte hein!?Cursar Física para arrumar estágio....sabe que até hj não vi oferta de nenhum? Talvez esta adorável Doutora esteja guardando todas as vagas para ela...hauahua)

"O problema é no Oráclô" (Bem, pra entender esta tem que ser um pouquinho nerd, mas eu explico: a bela criatura estava querendo se referir a um problema no banco de dados ORACLE , mas não estava disposta nem a prender como que se fala...tststst)

"Nossa, agora vc estah magra mesmo hein!"(Claro depois de uma gripe que quase virou uma pneumonia...)

"Pessoa diz: eu adoro aquela professora, ela é muito inteligente. Pessoa 2 diz: também, com um marido daqueles qualquer uma é inteligente!" (entendeu a ligação de uma coisa com a outra?)

" Aqui no Brasil tem um ditado que dis assim. A inveja mata. Voce morre dela por toda a sua BELESA" (Esta eu nem estava por perto, foi uma criatura que deixou no blog da Denize sobre as críticas dela à Gisele Bundchen. Assim mesmo, com todos os lindos erros de português)

"Para que existe uma faculdade de dança? Que coisa inútil, não tem nada o que estudar. Só mesmo a Estácio de Sá para abrir um curso desses!" (Respondi a esta criatura tudo o que se estuda em um curso de dança e que universidades públicas bem conceituadas como UNICAMP e UFBA há muitos anos jah oferecem o curso de Dança

Como Destruir Uma Ilha - Um Manual


1)Habite uma ilha, mas de costas para o mar. Afinal, você ficará cego de tanto vê-lo, que continuar olhando para ele será um suplício.
Depois de alguns anos, "se faça de moderno" e transforme toda a orla urbana - inclusive a das lagoas - em estacionamentos para automóveis, e vá tomar café nos postos de gasolina.

2) Esqueça de forma solene a cultura produzida pelos moradores, a começar por destruir todo seu patrimônio material e imaterial, colocando abaixo todo o casario histórico (para quê, né, manter casa velha?) e construa prédios funcionais, e "modernos" . Deixe que intelectuais, arquitetos, urbanistas e especialistas falem o que quiserem, eles costumam não entender nada disso.

3) Como essa gente faz muita porcaria, construa um imenso merdário bem na entrada da cidade, para que turistas e a própria população sinta todos os dias o cheiro daquilo que sabem fazer muito bem.

4) Depois encha a cidade de estátuas extemporâneas e esquisitas, como aquela em homenagem à Polícia Militar, carinhosamente apelidada de "No meu não", e, ao lado do merdário, finque bandeiras enormes.

5) Gaste uma fortuna na construção de um complexo - mas complexo mesmo - de terminais urbanos que fazem a viagem ficar mais lenta do que antes da construção deles. Não dê ouvidos àqueles malas que insistem em achar que investir em transporte marítimo, só porque se habita uma ilha, dará resultado.

6) Aterre todas as orlas, pelo mesmo motivo já citado. Afinal, é muito mar que tem por aí. Precisamos mesmo é de terra e espaços para os automóveis, razão essencial de nossas vidas.

7) Depois de aterrar orlas e baías, convide um dos urbanistas mais importantes do mundo, como Burle Marx, para que faça um projeto de urbanização do aterro. Quando estiver tudo pronto, destrua tudo e coloque ônibus, muitos ônibus, para fazer "não" funcionar aquele complexo citado acima. Para acabar de vez, construa um Centro de Eventos cuja arquitetura, além de tapar a pouca vista do mar, é bem parecida com a do merdário citado antes.

8) Asfalte todas as ruas do centro histórico. Afinal, o turismo depende apenas de bundas, sol e areia, fazendo, ainda, ampliar a velocidade dos carros, aumentando a poluição sonora e os acidentes. Ninguém vai à Europa para ver sua cultura e sua história, ou seus museus. Essa gente gosta mesmo é de ver carros, muitos carros.

9) reconstrua apenas os pilares do Mítico Miramar, pinte de cor de rosa e deixe inacabado. Afinal, aqui também tem construção que já é ruína.

10) Construa centros de compras (e os chame colonizadamente de shopping, pois somos ingleses ao que parece) bem em cima dos mangues. Ninguém precisa daquele ecossistema cheio de garças, carangueijos e que de nada serve na hora de comprar roupinhas de 200
reais, vindas do Bom Retiro, em São Paulo, por apenas 25.

11) Construa casas penduradas nas enconstas das lagoas e dos morros próximos ao mar e desmate tudo em volta, para que tenha mais visão da natureza, antes que outro construa a sua também e desmate e tire a sua visão privilegiada.

12) Desmate, aterre e negocie com a Câmara de Vereadores a ocupação de áreas de preservação permanente por empreendimentos que privatizam a paisagem e os acessos à praia.

13) Evite o incentivo aos esportes adequados ao clima e geografia, tais como o vôo livre, a pesca, a vela, etc, e permita a ocupação de áreas de abastecimento de lençol freático por empreendimentos imobiliários voltados a esportes praticados há anos na Ilha e adorados pelos seus habitantes, como o golfe, por exemplo.

14) Como a Ilha dos Aterros já tem parques demais, doe os parques municipais de preservação para a iniciativa privada explorar os recursos naturais a serem protegidos e as áreas de terra para
especulação imobiliária, assim como o Parque Sapiens e o Parque do Rio Vermelho.

15) Ignore os argumentos de técnicos e ambientalistas que só querem impedir o progresso da cidade e utilize as estruturas de instituições públicas para persegui-los até que abram mão das
bandeiras preservacionistas e se mudem de cidade e Estado.

16) Construa novos e luxuosos prédios, cada vez mais perto do mar, sem saber pra onde vai o esgoto, venda pra milionários de qualquer lugar do mundo, e depois coloque a culpa nos que vêm de fora pela ocupação desenfreada.

17) Deteste quem pensa um pouco no futuro e que - mesmo ciente de que um dia vai morrer - acha que seus filhos e netos merecem uma ilha um pouco melhor.

18) Seja moderno e diga de boca cheia Ecochato. É muito chique ser contra os ecochatos. Prefira ser ecoburro, que é também muito moderninho.

19) Asfalte ruas que não têm nem nome ainda, nem esgoto. Afinal, o que não aparece não dá voto.

20) Vá embora e não lute contra.

PS: Texto recebido da Drika por e-mail.

13 de jan. de 2007

Passando por Porto Alegre e claro, pelo MARGS


Posso ir à Porto Alegre somente com o dinheiro das passagens, mas não deixo nunca de
passar pelo
MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul). Também,depois de três anos morando na rua Duque de Caxias e de visitas semanais, fica difícil não passar por lá. Até porque,
alguém pode me dar um motivo razoável pelo qual não valha apena visitar o museu? A arquitetura do prédio é maravilhosa, o acesso fácil, acho que dá uns 20 minutos a pé da
rodoviária,entrada livre e acervo de excelente qualidade.Ah, mas vc está com fome? Tudo bem
tem uma cafeteria lá dentro e um bistrot. Queres livros sobre arte? A lojinha do MARGS cum
pre bem esta função.
Este ano, quer dizer, algum dia depois do Natal de 2006, as obras que estão em exposição no salão principal são da artista plástica brasileira Djanira,na exposição "A Arte Sob o Olhar de Djanira",que vai até 14 de janeiro. Sobre a exposição um texto retirado do site doMARGS sobre o evento:
"(...)A exposição apresenta pela primeira vez ao público gaúcho a trajetória da
importante artista paulista (falecida em 1979) que pintou a paixão pelo Brasil, retratando
temáticas como o f
utebol, a música popular, o circo, as pequenas cidades e os trabalhadores.
A retrospectiva traz cerca de 80 obras – entre pinturas, desenhos, gravuras e matrizes – do
acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (MNBA), e pre
tende traçar um
panorama das quatro décadas de atuação artística de Djanira, entre 1942 e
1970. Com
curadoria de Pedro Xexéo e Laura Abreu, A Arte
Sob O Olhar de Djanira foi exposta
recentemente no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba."
Depois da exposição, se a fome bater e vc não estiver tão sem grana quanto eu na
última vez que estive em Porto Alegre, passe na cafeteria do museu e peça um legítimo
strudell com uma bola de sorvete de creme....para fechar o passeio cultural deliciosamente.
Senão vai no supermercado Nacional mesmo ....hehehe

O que é: Exposição "A arte sob o Olhar de Djanira"
Onde: MARGS - Porto Alegre
Djanira no Wikipedia
Jornal do Margs

8 de jan. de 2007

A cerveja e o assassinato do feminino


Berenice Bento
Folha de São Paulo

HÁ MUITAS formas de se assassinar uma mulher: revólveres, facas, espancamentos, cárcere privado, torturas contínuas. Mesmo com um ativismo feminista que tem pautado a violência contra as mulheres como uma das piores mazelas nacionais, a estrutura hierarquizada das relações entre os gêneros resiste, revelando-nos que há múltiplas fontes que alimentam o ódio ao feminino.

Como não ficar estarrecida com a reiterada violência contra as mulheres nos comerciais de cerveja? Com raras exceções, a estrutura dos comerciais não muda: a mulher quase desnuda, a cerveja gelada e o homem ávido de sede. As campanhas são direcionadas para o homem, aquele que pode comprar.

Alguns exemplos: uma mulher faz uma pequena dissertação sobre a cerveja para uma audiência masculina, incrédula de sua inteligência. Logo o mal-entendido se desfaz: claro, uma mulher não poderia saber tantas coisas se tivesse como mentor um homem; a mulher é engarrafada, transformada em cerveja; um mestre obsceno infantiliza e comete assédio moral contra uma discípula; ela é a BOA. Quem? O quê? A mulher ou a cerveja?

Todos os comerciais são de cervejas diferentes e estão sendo exibidas simultaneamente. Nesses comerciais não há metáforas. A mulher não é "como se fosse a cerveja": é a cerveja. Está ali para ser consumida silenciosamente, passivamente, sem esboçar reação, pelo homem. Tão dispensável que pode, inclusive, ser substituída por uma boneca sirigaita de plástico, para o júbilo de jovens rapazes que estão ansiosos pela aventura do verão.

Se já criminalizamos alguns discursos porque são violentos, não é possível continuarmos passivamente consumindo discursos misóginos a cada dia, como se o mundo da televisão não estivesse ligado ao mundo real, como se as violências ali transmitidas tivessem fim no click do controle remoto.

Embora a matéria-prima para elaboração desses comerciais esteja nas próprias relações sociais, nas performances ali apresentadas há uma potencialização da violência. Não há uma disjunção radical entre violência simbólica e física. Há processos de retroalimentação.

A força da lei já determinou que os insultos racistas conferem ao emissor a qualidade de racista. Também caminhamos para a criminalização da homofobia em suas múltiplas manifestações, inclusive dos insultos. Por que, então, devemos continuar repetidas vezes ao longo do dia a escutar "piadas" misóginas, alimentando a crença na superioridade masculina sem uma punição aos agressores?

Sabemos da força da palavra para produzir o que nomeia, sabemos que uma piada homofóbica, racista, está amarrada a um conjunto de permissões sociais e culturais que autoriza o piadista a transformar o outro em motivo de seu riso. Agora, é incalculável o estrago que imagens reiteradas de mulheres quase desnudas, que não falam uma frase inteligente, que estão ali para servir a sede masculina, invisibilizadas em duas tragadas, provocam na luta pelo fim da violência contra as mulheres.

Da mesma forma que o "piadista" racista e/ou homofóbico acha que tudo não passa de "brincadeira", o marqueteiro misógino supõe que sua "obra-prima" apenas retrata uma verdade aceita por todos, inclusive por mulheres: elas existem para servir aos homens. E como é uma verdade aceita por todos, por que não brincar com ela? Ou seja, nessa lógica, ele não estaria fazendo nada mais do que reafirmar algo posto. Será? Não é possível que defendam aquela sucessão de imagens violentas como "brincadeiras".

Essa ingenuidade não cabe a alguém que sabe a força da imagem para criar desejos.

O que pensam os formuladores dos comerciais? Que tipo de mulheres habita seus imaginários? Por que há essa obsessão pelos corpos femininos? Será que eles ainda pensam que as mulheres não consomem cerveja?

Não se trata de negar a mulher-consumível, coisificada, pela mulher consumidora, mas de apontar os limites de uma estrutura de comercial que peca inclusive em termos mercadológicos.

Tal qual o assassino que matou sua esposa acreditando que sua masculinidade está ligada necessariamente à subordinação feminina, a cada gole de mulher, o homem sente-se, como em um ritual, mais homem. Conforme ele a engole, ela desaparece de cena para surgir a imagem de um homem satisfeito, feliz; afinal, matou sua sede. É um massacre simbólico ao feminino. É uma violência que alimenta e se alimenta da violência presente no cotidiano contra as mulheres.

BERENICE BENTO é doutora em sociologia, pesquisadora associada do Departamento de Sociologia da UnB e autora do livro "A Reinvenção do Corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual".

Ps: encontrei este texto em www.sindromedeestocolmo.com


5 de nov. de 2006

O dia em que eu vesti a camisa da Inglaterra

Quem me conhece de muito tempo sabe que eu nunca fui uma grande simpatizante da Inglaterra. Ah, tudo bem, os Beatles e os Rolling Stones são de lá, os chás e o bolo inglês são muito legais e a minissaia, apesar de ter se tornado praticamente propriedade das brasileiras, surgiu na terra da rainha. Porém, convenhamos, basta estudar um pouquinho de história do Brasil, nos livros de segundo grau mesmo, para atestar que a política externa da Inglaterra, ao menos no que diz respeito ao Brasil, nunca foi das melhores. E não venha me dizer que a Inglaterra ajudou a abolir a escravidão porque sua política era liberdade para todos. Era mesmo liberdade para todos, desde que este “todos” seja um mercado consumidor em potencial e como escravo não comprava nada....
É claro que sempre encarei esta “antipatia” como algo muito racional, bem fundamentado e com toda e absoluta razão de ser e de estender-se a todo o povo inglês. Claramente uma postura preconceituosa não? Entretanto, eis que um dia, há tempos, estou treinando capoeira e chega uma criatura loira, com um cabelão tipo Elba Ramalho, branca, branca, um branco bem diferente dos alemães falsificados do sul do Brasil, acompanhada da Ana, pra jogar capoeira. Pra completar eu percebi que ela prestava muita atenção no que a gente falava e quando alguém perguntava algo ela se perdia um pouco nas palavras. Imaginei que ela fosse alemã, finlandesa, sueca, qualquer coisa, até que alguém pergunta e ela diz: eu sou inglesa. Pow ela até parecia ser legal, mas tinha que ser inglesa?Foi a primeira coisa que pensei. Junto com este pensamento percebi o quanto estava sendo preconceituosa e consequentemente burra. Ok, vamos conversar com a inglesinha. Em pouco tempo ela descobriu a minha antipatia pela Inglaterra e pelos ingleses, não por eu ter tido algum ato de xenofobia extrema, mas porque eu sou cara de pau mesmo e falei pra ela, arrematando com o seguinte final: mas você é muito legal.
Não, não foi com um super discurso pró Inglaterra que ela mudou a minha visão preconceituosa sobre os ingleses. Nós conversamos a respeito da visão de cada uma sobre a Inglaterra, de maneira inteligente e deixando os preconceitos de lado, mas não foi somente isto que fez com que eu mudasse meu pensamento preconceituoso para um pensamento realmente racional. O fato é que se na primeira vez que eu falei com a Ciara (a tal inglesinha) eu não tivesse dado espaço para a gente conversar, tivesse ido embora e pensado “ah mais uma gringa querendo sambar!”, eu com certeza teria perdido uma grande amizade. Teria perdido as suas observações engraçadas sobre a política no Brasil (por que os políticos de vcs tocam tanta musiquinha?), sua confusão entre as palavras vô e vó, a constante invenção de palavras novas para a língua portuguesa (recagar o cartão, reguardar, o caracol que usa cachecol...) e a sua visão muito particular de mundo, que rendeu muitas madrugadas e cervejadas com assunto parecia que nunca mais acabava.
A inglesinha Ciara voltou ao Brasil dar uma passeada e matar a saudade há 15 dias atrás. Conheceu o Ronda e aprovou o moço, viramos uma madrugada batendo papo, matei várias aulas na UFSC para conversar com ela. Conseguimos chopp de graça e muitas risadas na trilha da Lagoinha do Leste. E ganhei presente, heheh, um presente que eu nunca esperava ganhar. Jogadas no gramadão da UFSC batendo papo antes da aula, ela tira meu presente da bolsa: uma camisa da seleção inglesa de Rugby. Nunca imaginei que ela me daria isto. No ano em que nos conhecemos eu ainda jogava Rugby e ficava enchendo o saco dela perguntando como era o Rugby na Inglaterra e ela se orgulhando toda, pois a Inglaterra tinha sido Campeã Mundial.
No fim eu vesti a camisa da Inglaterra. Não somente porque eu a ganhei de uma menina que me mostrou que toda e qualquer forma de preconceito é burra e limitante, e que só percebemos o quanto somos preconceituosos quando estamos frente a frente com ele. Também porque se a Inglaterra tem a Ciara, então não deve ser uma terra tão ruim assim.

Ps: Na foto, Bianca, Ciara, Anna e Tati.

3 de nov. de 2006

O cão chupando manga




Redescobrindo algumas coisas que já tinha aprendido, e sei lá por que motivo, desaprendi.Sim, fui o cão chupando manga na infância. Se eu fosse meu pai, não teria tido comigo a paciência que ele teve.Aí descobri uma fase zen...só paz e amor, "no stress", deixa disso, tá estressado, vai surfar, e por aí vai.E quando a gente acha que atingiu o "nirvana", se descuida, e olha o que dá? Olha lá você parecendo o cão chupando manga de novo!
Então descobri que a serenidade exige disciplina, a droga da disciplina tão odiada por seres anarquistas ou anarco-qualquer-coisa, assim que nem eu. E para não se submeter à tal disciplina, se deixa seu cão chupando manga à solta, mordendo as pessoas, rosnando pra outras e às vezes até mordendo o próprio rabo de tanta raiva.
Aos poucos e com valiosa ajuda (amadora, mas bem que poderia ser profissional se quisesse), volto a descobrir que dá pra neutralizar coisas irritantes.Alguém querendo tomar o seu lugar, é uma coisa irritante, mas pra que deixar o mundo desabar ao seu redor, se o seu lugar está muito bem reservado? Aliás, pensando até melhor, é um motivo de alegria saber que alguém queria tanto estar no seu lugar, mas quem está ali é você. É um privilégio ou não é?
É importante saber, claro, que nada no mundo tem garantia, nenhum lugar está reservado "ad infinitum" sem que haja o firme esforço de permanecer nele, e como sou brasileira e não desisto nunca...
A raiva corrói o fígado, portanto prefiro deixar que substâncias etílicas façam mais prazerosamente esse serviço por ela.Mas um aviso aos descuidados: o cão chupando manga não morreu. Tá sendo adestrado, mas se precisar, ele morde, ah se morde!


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Pequeno texto roubado do Orkut da Srta Adriana Bunn sobre o cão cupando manga dela...que provavelmente não é muito diferente do de muita gente..hahhehee

8 de out. de 2006

Mulheres com Ensino Superior casam mais tarde


Não sou muito fão de ctrl+c,ctrl+v mas achei estes dados interessantes. A matéria foi publicada no site www.universia.com.br

As mulheres com nível superior estão casando cada vez mais tarde. É o que revela uma pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizada com 686.997 mulheres donas do diploma de Ensino Superior. Entre as mais jovens, o número é mais expressivo. Das garotas na faixa etária entre 20 e 29 anos, 60,93% delas são solteiras. Entre as que têm menos de três anos de estudo, a taxa cai para 21%. Para as da faixa etária entre 30 e 39 anos, o índice é de aproximadamente 25%. Para as de pouca escolaridade, o índice é de cerca 9%.

No Brasil, as mulheres com maior grau de instrução também estão optando por ter menos filhos, (apenas um) constatou a pesquisa. Segundo o demógrafo da escola nacional de ciências e estatísticas do IBGE, José Eustáquio Alves, o estudo revela que, quanto maior é o nível educacional da mulher, menor é a importância dada ao casamento e a filhos. Para ele, o que as mulheres solteiras estão mostrando é apenas um detalhe de uma tendência que ele chama de "bônus demográfico".

Esse fenômeno é resultado da diminuição do número de crianças e do crescimento lento da população idosa. O "bônus" só vai ser produzido se, nas próximas duas décadas, houver um crescimento razoável, o que geraria mais renda e empregos. Já em 2030, a parcela de idosos vai aumentar rapidamente. O bônus significará também que os trabalhadores aposentados terão acumulado algum patrimônio a ser usado na velhice e, assim, se manterão consumidores ativos. Caso a chance seja perdida, o bônus inverte o sinal: além de demandarem mais recursos públicos, os idosos pouco contribuirão economicamente.

17 de set. de 2006

Poesia I


MULHERES DE FERRO &
MULHERES DE PORCELANA



Há mulheres
que parecem de ferro
Outras parecem
frágeis bonecas de porcelana.

As duas, porém
Têm alma de cristal:
A dor que uma sente
A outra sente igual.

As pessoas só se preocupam, porém,
com as bonecas de porcelana.
Cuidam para não machuca-las...

Com as de ferro não é assim:
Julgam-nas fortes – as que tudo agüentam-
Que nunca perdem a calma...

Mal sabem que ninguém jamais poderá
remendar-lhes o cristal da alma.




11/06/2004.

Ps: Este poema foi escrito pela Senhorita Adriana Bunn, uma estudante de geografia da UDESC um tanto espevitada, de cabelo vermelho e fogo nas ventas que costuma ler Leminnski, tomar cerveja e tocar violão com os amigos pela manezinha ilha de Santa Catarina e São José.
Ps2: A figura "Mulher Chorando" faz parte do acervo da obra de Cândido Portinari,artista plástico brasileiro.

12 de set. de 2006

IV Encontro Nacional LinuxChix Brasil



Como boa caloura da UFSC, durante o período de recepção aos calouros do semestre 2006/01, observei os vários trotes que ocorreram na Universidade para ter algumas idéias maléficas para quando eu for veterana...hehehe. Brincadeiras a parte, o que pude observar com clareza foi a grande concentração de determinados gêneros (tratando- se de masculino e feminino) em determinados cursos. Nos trotes dos cursos do CTC (Centro Tecnológico da UFSC), entre vários meninos havia uma e outra menina cantando junto o hino do calouro (eu sou calouro...eu não me engano ....eu dou a vida pelo veterano!). Um grande contraste com os cursos do CCE (Centro de Comunicação e Expressão), CFH (Filosofias e Humanas) e em especial o CED (Ciências da Educação), que conseguiu ter uma turma de pedagogia com apenas um menino! E daí?

E daí que eu não acho isso 'legal'. Considero– o como um fato que demonstra que o acesso ao conhecimento no Brasil (e possivelmente no mundo) ainda é marcado por uma forte discriminação de gêneros, discriminação esta que nos acompanha desde a nossa educação familiar, quando os irmão, primos e afins ganhavam carrinhos e vídeo- games e as meninas bonecas Barbies para enfeitarem.Felizmente não sou a única pessoa que passa seu tempo a pensar e agir sobre este assunto. Há sim várias pesquisas na área de ciências socais que investigam o porquê de tão poucas mulheres na área de exatas. Também não só de pesquisas vivem as feministas e pensadoras, há muitas mulheres agindo para mudar esta realidade. Um bom exemplo? A comunidade virtual (mas com ações reais tb!) LinuxChix.org. A comunidade surgiu para mulheres (e homens !) que gostam de Linux, onde gostar é sinônimo de aprender, trocar experiências , e para apoiar mulheres na computação. Além do clima de respeito que há na lista, pois a chance de vc receber um comentário sexista imbecil como resposta para uma pergunta é quase nula e a chance de se um dia isto acontecer a infeliz criatura ser expulsa da comunidade é alta, o projeto conta com excelente documentação sobre Software Livre e o 'How To- Como incentivar mulheres a usarem e permanecerem no Linux' . O último, mesmo que vc não trabalhe nesta área, vale a pena ser lido. A partir disto que surgiu o 'Encontro Nacional LinuxChix Brasil', que este ano teve a sua 4o edição em Florianópolis nas dependências do colégio Bardall.

Pude participar do evento apenas no dia 9, sábado, e assisti a algumas palestras. Particularmente achei a palestra sobre 'Alta disponibilidade de Servidores com FreeBSD' bem interessante. Tudo bem, tudo bem!Eu assumo que tenho um interesse maior sobre o sistema operacional FreeBSD e este interesse torna-se gigante tratando-se de servidores, mas aconteceram palestras para todos os tipos de interesse dentro do Software Livre , como 'Integração de Ambientes Linux- Apache com MS-Active Directory através do Samba', 'Kernel do Linux para iniciantes' e até mesmo um pouquinho de Microsoft, que entre as suas ações para se aproximar do Software Livre foi uma das patrocinadoras do evento, e esteve presente com a palestra 'Arquitetura de Virtualização da Microsoft e sua Interoperabilidade'.

Infelizmente não haviam TANTAS meninas no evento,por um momento me senti até um peixe fora d'água. Entretanto,é um longo caminho mudar uma cultura tão arraigada em nossa sociedade. Aos poucos e com mais ações com este foco, de crescimento profissional e não de chorumelas por ter nascido mulher, esta realidade está mudando. Ao menos na Física- Bacharelado, mais de 10% dos calouros eram do sexo feminino!
Ps1: Se vc se interessou pela comunidade, de uma olhada em www.linuxchix.org.br , que é a regional brasileira do projeto.

Ps2: As palestras estarão disponíveis no site da LinuxChix.

8 de jul. de 2006

Vaga Masculina - Uma pequema história sobre discriminação

Vaga Masculina - Uma pequema história sobre discriminação



Prezado Ciee Santa Catarina

Sou estudante de Tecnologia em Redes de Computadores no Cefet Santa Catarina e também de Física Bacharelado da UFSC e desde o início do meu curso no Cefet realizei estágios pelo Ciee. Sempre tive um bom atendimento, vagas interessantes, boa orientação, um serviço realmente muito bom.
Entretanto, qual não é a minha surpresa quando interesso-me por uma vaga de estágio na área de manutenção de computadores e seguindo o procedimento habitual, solicito encaminhamento com as atendentes/estagiárias de psicologia e ouço a seguinte frase: " Desculpe, mas eu não posso te encaminhar para esta vaga pois a vaga é masculina."
Como?Sinceramente não acreditei no que estava ouvindo. Perguntei à moça se ela tinha certeza, se aquilo estava correto,se uma empresa podia cadastrar uma vaga e colocar esta especificação. ' Sim esta correto. Eles podem sim, a vaga eh da empresa, ela que decide que profissional que deseja'.
Saí do Ciee setindo- me ofendida e com meus direitos de cidadã negados. Ser negada para uma vaga porque o curso não está de acordo, não possuir qualificação suficiente ou horário disponível incompatível com o da empresa tudo bem, mas por não ser do sexo masculino?
Em diversas oportunidades estive no Ciee e pude ler as revistas e folders divulgando a proposta do Ciee, seu comprometimento social com a inclusão do jovem no mercado de tabalho. Gostaria de saber que tipo de inclusão é feita no Ciee, pois acredito que o conceito de inclusão no mercado de trabalho e consequentemente inclusão social, não possa ter espaço para exclusões sexistas ou de qualquer tipo.
É decepcionante verificar que uma organização deste porte possa estar contribuindo desta maneira para o atraso do país, permitindo que empresas continuem com administrações preconceituosas, excluindo parte da população e dificultando que pessoas qualificadas, de qualquer sexo, etnia ou religião, possam desenvolver seu trabalho colaborando para o crescimento do país, recebendo salários justos por sua capacidade de trabalho (capacidade real e não pré-concebidas a partir de preconceitos),e consequentemente colaborando para a diminuição do abismo social existente no Brasil .
Estarei aguardando a posição do Ciee quanto a este assunto, mas deixo como sugestão que tanto os senhores como as empresas que são cadastradas no sistema Ciee dêem uma estudada na Constituição Brasileira. Muitos códigos podem ter sido modificados e aperfeiçoados ao longo dos anos, mas a premissa básica de que " todos são iguais perante a lei" ainda não mudou e todos nós, como cidadãos brasileiros, temos isto como direito e dever.

Aguardo sua resposta.



(Estou aguardando.......)


ps: a foto foi retirada de http://www.portaldavaca.com.br/simagens/bichos_05.htm

Ps2: Recebi a resposta mais ou menos 3 dias depois. O senhor Marcelo, gerente de relacionamento do Ciee- SC, me ligou pedindo desculpas, explicando que foi um procedimento errado e que já estava sendo averiguado. Pediu para conversar comigo pessoalmente mas infelizmente não pude por total falta de tempo. Agradeço ao senhor Marcelo e ao Ciee pela atenção dada ao assunto.



26 de jun. de 2006

Orkut, Fotologs e o Professor Pasquale

Orkut, Fotologs e o Professor Pasquale


Prezadas pessoas que me lêem neste momento: o assunto aqui abordado parece ser a praga do século – a facilidade da comunicação digital. Claro, quando se trata de nós mesmos é uma grande facilidade. Achar amigos de infância, parentes dados como perdidos no mundo, mostrar pra esses parentes distantes através de fotos como estamos bem “gordinhos e felizes”, ou magrinhos e felizes também - por que não? – é realmente algo dadivoso.

O problema é quando a facilidade digital é a do ser amado. O orkut dele é uma fonte de estresse, o fotolog dele igualmente. Mas o pior pesadelo de uma mulher descolada, são as amigas de “dotes maximizados”, porém “intelectualmente carentes” dele e seus posts maravilhosos do tipo: “ouheaheaixx oix fofuxuh t dolo!” Fazendo um baita esforço e tentando lembrar do tempo em que meu irmão caçula tinha uns 3 anos, e a gente tentava entender o que ele tentava dizer, dá pra entender algo como “oi, fofo, te adoro”. Está bem, passa. Sem maionese, mas passa...mas irrita...

O orkut, principalmente e o fotolog, são páginas públicas que qualquer um pode não só olhar, mas também mostrar o quanto é “sem noção”, ou non sense para quem ainda não está muito familiarizado com o meio. Para quem convive com esse pesadelo digital, porém não-virtual, pior que um recado maldito deixado para ele é um recado maldito e mal-escrito deixado para ele.

“Tipo assim”: “hummm (...), ja ouvi mto seu nome nas conversas do (...). E por falar em capuccino, tomamos isso na ultima vez q saímos ;P”. Qualquer criatura que conheça um mínimo da língua de nossa pátria-mãe entende que os dois, a criatura que postou e seu ser amado saíram para tomar um capuccino. Até que você descobre que a “criatura” e o tal do (...) é que foram tomar um capuccino juntos e não ela e seu namorado. Mas até que tudo fique muito bem explicado, a porca torce o rabo. Umas três vezes pelo menos.

Passa a tempestade, vem a calmaria... e outro post maldito: “naum acreditasse no que f0o0ofo0o0o0? Uihaiuhiuahuaihauih bjo0o0o0o0o pra ti”.

Vamos analisar a frase: “Naum acreditasse no que fofo”... imagina-se a criatura dizendo para seu namorado: que fofo! e ele não acredita e ela vai lá no fotolog dele e coloca isso como prova do quanto ele é fofo... Mais uma tempestade, mais um palavrório e um rosário de elogios às amigas dele para descobrir que faltava uma vírgula depois do “que” e antes do “fofo”, que em português ficaria mais ou menos assim: “Não acreditaste no quê, fofo?”. Outra que desce, sem maionese, mas com vírgula, desce.

Estes pequenos exemplos são para mostrar o quanto complica a vida alheia essa falta de cuidado com a escrita, esse assassínio de nossa língua. Se você tem um amigo(a), e esse amigo(a) tem uma namorada(o) pense um pouco: se gosta dele, cuide com o que escreve, pois o ser amado dele pode não entender a sua linguagem “descontraída”, e sobra exatamente para ele. No entanto se sua intenção é irritar mesmo, irrite,“amiga”, sem ofender o coitado do português que não tem nada a ver com a briga...

O Professor Pasquale bem que tenta, mas vou dizer, está quase se tornando uma tarefa impossível em tempos virtuais. A coisa está mais para Lulu Santos & Herbert Vianna: “Assaltaram a gramática, assassinaram a lógica, (...) seqüestraram a fonética”... e c’est la vie! Cheguei a conclusão que para viver bem é preciso ter além de ouvidos, também os olhos moucos.



Ps: Este texto foi escrito pela Senhorita Adriana Bunn, uma estudante de geografia da UDESC um tanto espevitada, de cabelo vermelho e fogo nas ventas que costuma ler Leminnski, tomar cerveja e tocar violão com os amigos pela manezinha ilha de Santa Catarina e São José.